Florianópolis investe em tecnologia para aprimorar o transporte coletivo

O sistema de transporte da capital de Santa Catarina implementou inovações como recarga e pagamento via PIX, recadastramento digital e telemetria

Marcia Pinna

Em 2025, o sistema de transporte coletivo de Florianópolis apresentou diversas novidades para os passageiros. Com tecnologia desenvolvida pela Empresa 1, em parceria com Grupo Gestor e Consórcio Fênix, a cidade – que recebe um grande fluxo de turistas – ampliou os meios de pagamento para os usuários para proporcionar maior comodidade e atrair novos passageiros, além de trazer mais segurança e eficiência operacional aos operadores.

Florianópolis utiliza a tecnologia da Empresa 1 há cerca de dez anos, sendo um parceiro tecnológico da companhia. “Há cerca de dois anos a Empresa 1 fez a renovação do hardware do sistema de Florianópolis, com equipamentos que representam uma evolução tecnológica, permitindo a implementação de novos features. Isso porque têm uma capacidade de processamento muito maior e permitem que qualquer tratativa seja realizada on-line. Todos os anos, temos inovações e Florianópolis é muito aberta a essas novas tecnologias”, comenta João Valle, diretor da companhia.

O executivo conta que a companhia investiu bastante no ecossistema de meios de pagamentos no último ano. “Já havia algumas soluções de pagamento no aplicativo Floripa no Ponto. Por exemplo, o passageiro consegue acessar o aplicativo e fazer uma recarga, e também comprar um bilhete avulso que gera um QR Code para usar dentro do ônibus. Mas a gente evoluiu mais, indo além do aplicativo com o PIX. Hoje há várias opções de pagamento para o usuário do transporte público, sendo muito mais democrático.”

João Valle, diretor da Empresa 1 (Divulgação)

O PIX no dispositivo de recarga foi a inovação mais recente, que foi implementada nos terminais e nos ônibus da cidade, cuja frota é de 500 veículos aproximadamente. Antes dos dispositivos de recarga, a bilhetagem digital com PIX já pode ser usada dentro nos ônibus, com a implementação do PIX no validador. Segundo a empresa, houve aumento da adesão às plataformas digitais, melhoria na qualidade do serviço e redução de deslocamentos desnecessários.

João Valle destaca a importância de se eliminar o uso de dinheiro em circulação no transporte coletivo para trazer mais segurança ao motorista e aos passageiros e também para proporcionar maior controle da operação por parte das empresas de ônibus e do poder público. “Em Florianópolis, apenas uma pequena parte das passagens ainda é paga em dinheiro. A partir de janeiro, os terminais já não irão aceitar mais dinheiro. Acredito que seja uma tendência eliminar gradativamente esse tipo de pagamento nas cidades brasileiras, como já ocorreu em Brasília, por exemplo”, avalia.

O aplicativo Floripa no Ponto facilitou o recadastramento de estudantes beneficiários de descontos sem sair de casa, além de outros serviços de bilhetagem de forma digital. Nos três primeiros meses de uso do
aplicativo, entre 20% e 30% dos estudantes já haviam feito o processo on-line. Hoje, esse número chega a 80%.

Telemetria –

A cidade também implementou o sistema de telemetria, que monitora em tempo real o comportamento dos veículos e motoristas, garantindo mais segurança e padronização na operação. Em vez de priorizar a tecnologia para corte de custos, em Florianópolis o foco foi a segurança. “Identificamos que em Florianópolis começou a ter uma disputa saudável entre os motoristas. A telemetria gera dados e permite fazer uma gamificação para a premiar quem são os melhores motoristas. Todo mundo que chegou naquele nível de condução eficiente ganha bônus e isso estimula a todos, beneficiando o passageiro e o operador”, diz Valle.

O sistema ainda contribui para a manutenção preventiva da frota. A solução de telemetria também traz uma redução no consumo de combustível permitindo que o operador de transporte possa investir em outras áreas do transporte urbano. Além disso, a tecnologia permite monitorar o desempenho de cada ônibus em cada linha de operação do veículo, um desafio em sistemas multilinha como o de Florianópolis.

A bordo dos ônibus, os motoristas também passaram a contar com o Console do Motorista, dispositivo que concentra, ao lado do volante, funções antes dispersas pelo veículo. A nova ferramenta permite abrir e encerrar viagens, configurar linhas e receber mensagens da central de operações, tudo sem sair do posto de trabalho.

“O motorista passou a ter um feedback. Isso é importante porque, muitas vezes, ele nem sabe que aquilo que ele está fazendo não é o ideal. Em Florianópolis, deram o nome de ‘amigo do motorista’, porque o console efetivamente ajuda os condutores, funcionando como um pequeno computador do lado dele, permitindo que toda a informação da central de controle da operação seja passada para o profissional, por meio de mensagens”, detalha Valle.

Console do motorista traz informações sobre a direção e o veículo (Divulgação)

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