Pneus nacionais têm durabilidade média 16% maior que importados, revela estudo
Levantamento inédito da Junsoft, líder em tecnologia para o setor de recapagem, aponta que um a cada cinco pneus importados de caminhões e ônibus é rejeitado logo na primeira tentativa de recuperação
Publicado em 23/06/2026 por Redação

Um estudo inédito da Junsoft, empresa do setor de recapagem, identificou que pneus de marcas nacionais apresentam, em média, sobrevida 16% maior no processo de reforma em comparação aos importados. A análise considerou 400 marcas e 709 mil pneus de caminhões e ônibus processados em seu sistema entre janeiro de 2025 e maio de 2026 – amostra que representa cerca de 15% do universo nacional de todos os pneus desses segmentos recapados.
Segundo a empresa, a informação é especialmente relevante no contexto atual. O produto nacional, que respondia por 73% das vendas no mercado doméstico em 2020, caiu para uma participação de 41% em 2025, de acordo com dados da Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip). No mesmo período, a crescente presença das marcas, apesar de ter ampliado a variedade disponível, passou a reunir desde produtos de alta performance até itens com menor potencial de reaproveitamento.
Com base na trajetória das carcaças processadas por reformadoras de todo o país, a Junsoft analisou a durabilidade e a capacidade de recuperação dos pneus. No setor automotivo, esse processo é conhecido como recapagem ou reforma de pneus, técnica que permite o reúso do produto e amplia sua vida útil.
Embora exista variação de qualidade entre modelos oferecidos por uma mesma marca, o estudo apontou que pneus produzidos localmente apresentam, em média, maior potencial de reforma. Enquanto a quantidade média de vidas de um pneu nacional é de 1,94, praticamente duas reformas ao longo de sua trajetória, a média dos importados cai para 1,78.
A maior diferença aparece ao fim da primeira vida do pneu, quando a carcaça chega à reformadora para a primeira avaliação do seu potencial de recapagem. Nessa etapa, os importados registram taxa de rejeição e descarte de 21,6%, contra 16,9% dos nacionais. Na prática, isso significa que, aproximadamente, 1 a cada 5 pneus importados é rejeitado logo na primeira tentativa de reforma.
“O mercado brasileiro de recapagem movimenta R$ 7 bilhões por ano e, historicamente, muitas decisões foram tomadas com base na experiência prática e na troca de informações entre frotistas e reformadoras. O levantamento que fizemos é um divisor de águas, confirmando o que antes eram percepções. Consolidamos os dados do nosso sistema, presente em 20% das mais de 1.300 reformadoras certificadas pelo Inmetro no país, para qualificar a estratégia dessas empresas e apoiar as decisões de compra dos clientes finais”, afirma Guilherme Gazzoni, CEO da Junsoft.
Gazzoni ressalta que há pneus importados de excelente qualidade, com capacidade de superar quatro vidas, que significam pelo menos três recapagens. A questão, segundo ele, está na alta variedade de marcas chegando ao mercado brasileiro com padrões de qualidade e propósitos de uso muito distintos entre si, combinada à compra orientada apenas pelo preço inicial – sem considerar o custo total de uso.
“O mercado passou a conviver com uma oferta muito ampla de marcas e padrões de qualidade. Há importados excelentes, mas também há pneus com carcaças que não resistem nem à primeira tentativa de reforma. Já no pneu nacional a variabilidade é menor, embora também haja diferenças. Quando o consumidor olha apenas para o preço de prateleira, pode pagar mais caro no longo prazo, porque precisa substituir o pneu com mais frequência”, explica.
Ganhos financeiros e de sustentabilidade
Para transportadores e frotistas, o pneu de menor preço inicial pode perder atratividade quando analisado pelo Custo por Quilômetro (CPK). Como a recapagem custa uma fração do valor de um pneu novo, uma carcaça com baixo potencial de reforma obriga a compra de pneus zero com mais frequência, anulando parte da economia obtida na aquisição.
Em uma frota hipotética de 100 caminhões, com 18 pneus por veículo, a diferença na taxa de rejeição na primeira recapagem pode representar dezenas de pneus a menos descartados no primeiro ciclo de troca. Considerando pneus novos a R$ 2 mil e uma durabilidade da primeira rodagem de 80 mil km, a economia potencial no caixa da empresa pode ultrapassar R$ 123 mil ao ano, além de reduzir o volume de resíduos gerados. Em uma operação de mil caminhões, são 160 pneus a menos.
O Brasil possui a segunda maior indústria de recapagem de pneus do mundo, atividade que contribui para reduzir o descarte de borracha e aço. Quando pneus com menor potencial de reforma entram em circulação em grande volume, cresce também o desafio de destinação adequada dos resíduos.
“Estamos falando de toneladas de matérias-primas. Se um caminhão utiliza pneus de alta performance ao longo de 20 anos, capazes de serem reformados três vezes, ele gera determinado volume de sucata. Se opta sempre por pneus com apenas uma chance de recapagem, o volume de descarte pode ser o dobro, estimado em mais de seis toneladas por veículo ao longo dessas duas décadas, afirma Gazzoni.
Segundo o CEO, o estudo também oferece às reformadoras uma base objetiva para orientar seus clientes. Ao demonstrar, por meio de dados, quais tipos de pneus apresentam maior potencial de reaproveitamento, as empresas do setor conseguem apoiar frotistas na escolha de modelos que combinem segurança, eficiência operacional, economia e menor impacto ambiental.
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