Eletra começa, em dois meses, implementação da nova fábrica de chassis elétricos
Unidade será instalada em área industrial reaproveitada em São Bernardo do Campo e terá foco em chassis eletrificados
Publicado em 20/04/2026 por Alexandre Asquini

A Eletra começará, em dois meses, a implantação de uma nova fábrica de chassis elétricos em São Bernardo do Campo, na região metropolitana de São Paulo. A previsão é que a nova unidade entre em operação e inicie a produção em março de 2027.
O gerente de suporte a vendas da Eletra, Joseval Pólvora dos Santos, confirmou à Technibus que o projeto está em fase avançada de preparação. Dois protótipos — um modelo padrão de 12 metros e outro de 21 metros — já foram desenvolvidos e homologados, incluindo a obtenção do Certificado de Adequação à Legislação de Trânsito (CAT), etapa essencial para viabilizar a produção em escala.
O CAT é emitido pela secretaria nacional de Trânsito e atesta oficialmente que veículos novos, importados ou modificados cumprem os requisitos de segurança e identificação da legislação brasileira.
A expectativa é que a construção da nova fábrica leve cerca de oito meses. A instalação ocupará uma área anteriormente utilizada por uma unidade industrial e contará com novos galpões, incluindo estruturas dedicadas ao armazenamento adequado dos chassis, especialmente devido à sensibilidade dos componentes eletrônicos embarcados.
Além do avanço industrial, a empresa já projeta sua expansão internacional. Conversas iniciais estão em andamento com países da América Latina, como Costa Rica, Colômbia e Equador. Um dos principais aprendizados dessas tratativas é a preferência desses mercados por fabricação local de carrocerias, o que levou à definição de uma estratégia baseada na exportação de chassis eletrificados.
Com isso, a Eletra passará a atuar com dois modelos de produto: ônibus completos e plataformas de chassis para montagem local — prática já consolidada no Brasil.
Atuação tecnológica
Joseval Pólvora dos Santos foi um dos expositores em painel sobre tecnologia e inovação na 95ª Reunião do Fórum Paulista de Secretários e Dirigentes Públicos de Mobilidade Urbana, realizada nos dias 15 e 16 de abril em Campinas (SP).
Ele detalhou a atuação operacional e tecnológica da Eletra no mercado brasileiro. Com mais de 25 anos de experiência, a empresa se consolidou como líder nacional em ônibus elétricos, com ampla frota em circulação em diversas cidades, especialmente na capital paulista.
Um dos pilares dessa operação é o uso intensivo de telemetria. Cada veículo é monitorado em tempo real por um Centro de Controle Operacional (CCO), que acompanha variáveis como localização, condição da bateria, velocidade e desempenho geral.
O sistema permite identificar falhas de forma preventiva e resolver até 90% dos problemas remotamente, muitas vezes sem que o operador perceba qualquer intercorrência.
Mudanças nas garagens
Segundo o gerente, a eletrificação também trouxe mudanças profundas na logística das garagens. Diferentemente do abastecimento rápido do diesel, os ônibus elétricos demandam horas para recarga, exigindo gestão inteligente de espaço e energia.
Para isso, a Eletra desenvolveu sistemas que orientam automaticamente os motoristas sobre onde estacionar e recarregar seus veículos ao entrarem nas garagens, otimizando o fluxo e evitando gargalos.
Infraestrutura energética
Outro desafio relevante é a infraestrutura energética. Em muitos casos, a capacidade elétrica disponível nas garagens não é suficiente para atender à demanda de carregamento. Como solução, ganha espaço o uso de sistemas de armazenamento de energia (BES), que permitem garantir operação em caso de falhas e complementar a energia disponível, além de reduzir custos ao aproveitar horários de menor tarifa.
Entre as inovações apresentadas, destaca-se também o projeto a ser utilizado no futuro corredor BRT do ABC Paulista, que introduz um modelo de recarga em movimento. Nesse sistema, parte do trajeto é eletrificada por rede aérea, permitindo que os veículos recarreguem suas baterias enquanto circulam, eliminando a necessidade de infraestrutura de recarga nas garagens. O corredor terá alta capacidade, integração com trilhos e foco em eficiência operacional e sustentabilidade.
Modelos de financiamento
O gerente da Eletra abordou também um ponto crucial para a expansão da eletromobilidade: os modelos de financiamento. O alto custo inicial dos ônibus elétricos — que pode chegar ao triplo de um veículo a diesel — ainda representa uma barreira significativa para operadores.
Nesse contexto, políticas públicas têm desempenhado papel decisivo. Na cidade de São Paulo, o modelo de subsídios permite que operadores adquiram ônibus elétricos pagando cerca de 28% a 30% do valor do veículo, o que tem acelerado a adoção da tecnologia.
Mais recentemente, ganha força o modelo de locação de frotas como alternativa para acelerar essa transição. Esse formato separa a propriedade dos veículos da operação do serviço e tem sido adotado por municípios que buscam modernizar rapidamente suas frotas.
Um caso emblemático é o de São José dos Campos (SP), onde a empresa Green Energy adquiriu cerca de 400 ônibus elétricos para operação sob regime de locação. O modelo envolveu processos de licitação tanto para a disponibilização dos veículos quanto para sua operação, permitindo uma implementação acelerada da frota. A cidade deve atingir a operação total desses ônibus até o fim de 2027, tornando-se referência nesse tipo de arranjo.
A tendência, segundo Joseval Pólvora dos Santos, é que esse formato se expanda pelo país, consolidando novos modelos de contratação e operação como elemento-chave para viabilizar a mobilidade sustentável em larga escala.
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